quarta-feira, 16 de maio de 2018

O meu filho foi agredido na escola


Ontem, quando nada o fazia prever, congelei e fiquei momentaneamente sem reação.
Soube pela Francisca (que frequenta a mesma escola do Martim) que ele estava magoado, mas sem saber grandes pormenores. Segundo ela, estaria "literalmente com a cabeça aberta" e tinha deitado imenso sangue.
Assim que soube, liguei de imediato para a escola, tendo sido tranquilizada por uma das pessoas que normalmente acompanha o Martim, que me disse que foi um acidente, mas para não me preocupar, pois já estava tudo bem e que falaríamos quando o fosse buscar. Estava eu longe de imaginar que ele havia sido sido literalmente agredido por uma colega, que lhe agarrou na cabeça a empurou contra a parede. CHOQUEI! Como é possível?
Ele estava no recreio do pós-almoço, sossegado, encostado tranquilamente a uma parede e a menina aproximou-se dele e pronto, aconteceu. Fez um golpe de cerca de 1cm, deitou bastante sangue e ficou com um galo enorme... Gritou, esperneou, eu sei lá.... Nem quero imaginar a dor... Mas depois acalmou e ficou bem.
A verdade é que a menina, tal como o Martim, sofre de Perturbações do Espectro do Autismo. E, apesar da generalidade destes meninos ser como o Martim, um “paz de alma” incapaz de fazer mal a quem quer que seja, dentro do espectro existem algumas divergências comportais, havendo alguns miúdos, poucos, que manifestam um maior grau de agressividade. Mas não sei se será o caso. De qualquer modo, MAS ISSO NÃO É DESCULPA!
O Martim, sendo como é, não se sabe defender. Além disso, pode ficar frustado, chorar e gritar, ou até mesmo auto-magoar-se (atitando-se com força para o chão ou beliscando-se), mas é incapaz de magoar o outro, de bater, de empurrar. E torna-se obrigatório controlar o comportamento de quem o faz.
Com esta situação vêm ao de cima algumas fragilidades, para além das já evidentes:
- tanto a nível de escola,;
- como relativamente a um sentimento de incapacidade da minha parte de proteger o meu filho em determinadas situações.
É certo de que os nossos filhos não podem viver numa bolha, mas se numa situação "normal" o nosso instito protetor está presente, em situações especiais, de falta de autonomia e incapacidade de defesa, este acentua-se consideravelmente.
E surge assim, novamente, a grande pergunta que atormenta a maioria dos pais destas crianças: Como será futuramente? Como será quando já nem eu cá estiver para o proteger ao máximo?

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