Hoje escrevo para ti, meu
grande amor, meu Martim, meu menino especial.
A vida nem sempre é fácil, é
um facto. Coloca-nos muitas vezes perante situações difíceis, em que temos de
optar por um caminho. Nem sempre o mais fácil mas, com certeza, poderá ser o
que nos fará chegar mais além.
Estou numa fase em que a vida
me confrontou com uma dessas situações.
A verdade é que as leis não te
dão crédito. Não acreditam que com o teu diagnóstico consigas progredir e ir
mais além. Por esta razão, confrontam-me com uma opção que não aceito. Não
aceito porque és demasiado novo. Não aceito porque tenho esperança. Não aceito
porque continuo a acreditar em ti e que, com esforço e trabalho, poderás
conseguir mais e melhor. Requer muito tempo e dedicação!? Claro que sim! E tu
mereces tudo isso.
Na minha qualidade de mãe, não
consigo “cortar-te as pernas” quando apenas tens 7 anos. Não consigo obrigar-te
a ir para uma instituição aos 16 anos, a uma distância tão grande. Isso seria
desistir. Não acreditar nas tuas capacidades, no que podes conquistar e no que
te podes vir a tornar.
Tenho perfeita consciência das
tuas limitações de hoje, do teu atraso no desenvolvimento. Mas o que é hoje
pode não ser amanhã. E isso faz-me lutar. Faz-me acreditar que tudo é possível,
inclusive uma grande evolução.
É óbvio que não podem
constantemente querer comparar-te com as crianças da tua idade. Não se pode
comparar o incomparável! Não és como os outros. Mas tens direito às mesmas
oportunidades que os outros.
Apesar de haver quem se
esconda por detrás de anonimatos a querer descredibilizar-te e
descredibilizar-me, eu não vou desistir de ti. Vou continuar a acreditar e a
lutar por tudo o que tens direito e por tudo o que julgo ser melhor para ti.
Estarei do teu lado sempre! A apoiar-te. A ajudar-te. A percorrer contigo este
caminho de obstáculos e de falta de crença de muitos.
Eu acreditarei sempre! Não
acreditar será desistir e eu jamais desistirei.
Sempre contigo,
A mamã






